
Em Coari, no interior do Amazonas, histórias de profunda dor têm encontrado espaço para transformação por meio dos grupos focais de desenvolvimento sócio emocional voltado a mulheres vítimas de violência do projeto Dignidade para a Infância realizado em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. Entre essas histórias está a de Marineira Batista Coca, 49 anos, que representa tantas outras mulheres que chegaram ao projeto carregando o peso do luto, do silêncio e da solidão.
Antes de integrar o grupo, Marineira vivia um dos momentos mais devastadores de sua vida: a perda de um filho. O sofrimento era tão intenso que ela se sentia “sem chão”, sem forças para seguir adiante. O desejo de se isolar era constante, e qualquer contato social parecia impossível. Quando recebeu o convite para participar do projeto, mal conseguiu compreender seu propósito, pois a dor ocupava todo o espaço.
Mesmo diante das dificuldades emocionais e do esforço necessário para sair de casa, Marineira decidiu aceitar o convite. Esse passo, ainda que pequeno, marcou o início de uma mudança profunda. Ao chegar ao grupo e ouvir outras mulheres, ela percebeu que sua história não estava sozinha. No encontro com outras dores, encontrou também compreensão, empatia e acolhimento. Aos poucos, passou a ressignificar sua própria perda, entendendo o luto não como um fim, mas como parte de um processo que permitia continuar vivendo.
A convivência no grupo trouxe aprendizados que ultrapassaram as reuniões. Marineira passou a olhar para si com mais cuidado, adotando práticas simples de autocuidado, como caminhadas, e desenvolvendo a capacidade de falar sobre seus sentimentos. Aprendeu a ouvir mais, a se posicionar diante dos conflitos familiares e, sobretudo, a reconhecer seus direitos. Esse fortalecimento refletiu diretamente em sua postura diante da vida, tornando-a mais consciente, segura e resiliente.
A história de Marineira é a prova de que, quando há acolhimento, escuta e apoio, a dor pode ser transformada em força. Os grupos focais não apagam as perdas, mas constroem caminhos para que mulheres reencontrem sentido, autonomia e esperança. Em cada encontro, renasce a certeza de que nenhuma história termina na violência ou no sofrimento — ela pode, sim, recomeçar com dignidade e coragem.
Sobre a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno
Fundada em 1993, por Bernardo Rosemeyer, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno é reconhecida nacionalmente pelo atendimento integral a crianças e adolescentes em situação de rua, bem como a suas famílias e comunidades de deslocados internos localizadas em municípios do Norte e do Nordeste do Brasil. Sem fins lucrativos, a instituição dedica-se à promoção da dignidade, justiça e inclusão social, enfrentando preconceitos e influenciando políticas públicas para a transformação da sociedade.
