Série depoimentos I Como o Grupo de Mulheres Transformou Minha Vida”

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Oi, meu nome é Maria Liduina Gomes Ferreira do Nascimento, tenho 51 anos e moro no município de Paracuru, onde participei do grupo de mulheres do Projeto Dignidade para a Infância.

Conheci o projeto por meio da minha vizinha e amiga de longa data, Maria Rodrigues, a quem chamo carinhosamente de Pequena. Ela já participava das atividades desde que o Pequeno Nazareno chegou ao município. Pequena tem uma alma jovial e divertida, participa de muitos grupos na cidade e sempre incentiva as amigas a levarem uma vida ativa e a participarem das atividades que ela frequenta.

Sempre que sabia que haveria encontro do grupo de mulheres, ela me avisava e dizia para eu me programar para ir com ela. Eu prontamente respondia que sim, mas, quando a data chegava, eu sempre dava um jeito de inventar alguma desculpa para não ir.

A verdade é que eu não queria sair de casa. Passava por um momento muito difícil. Tinha episódios recorrentes de ansiedade e crises depressivas que já me acompanhavam há alguns anos e estavam cada vez mais presentes no meu cotidiano. Naquele momento, eu não tinha interesse em socializar, conhecer pessoas ou viver algo novo. Eu queria apenas viver ao meu modo, no mundo que criei para mim, onde conseguia vencer um dia de cada vez.

Mas minha amiga não desistiu. Estava decidida a me levar até o encontro com as mulheres. Numa tarde de quarta-feira, bateu em minha porta vestida com a farda do projeto, esbanjando perfume e alegria. Sentou-se no meu sofá e disse que só sairia dali quando eu me aprontasse para ir com ela.

Naquele dia, mesmo diante de tudo que me prendia dentro de casa, eu decidi ir. A princípio, fui mais para satisfazer a vontade dela, mas logo avisei: se eu não gostasse, não voltaria mais.

Mal sabia eu que aquela decisão, tomada em meio à luta que travava comigo mesma, seria apenas o começo da história de uma nova Liduina, que há muito tempo estava adormecida dentro de mim, vencida pelas dificuldades e obstáculos da vida.

Naquela tarde, fui recebida por toda a equipe com um abraço apertado e afetuoso, como há muito tempo eu não recebia. Confesso que fiquei positivamente surpresa. Olhei ao redor e tudo parecia tão alegre. Cada detalhe daquele espaço me convidava a entrar e sentar junto das mulheres que já estavam ali. Elas gargalhavam e pareciam ansiosas para saber sobre o que conversaríamos naquela tarde.

O encontro começou e logo fui apresentada a todas. Cada uma se apresentou também e me desejou boas-vindas, fazendo com que eu me sentisse acolhida, como se naquele momento estivessem depositando em mim muito carinho e atenção.

A atividade seguiu, e naquele primeiro dia permaneci mais quieta, ainda me familiarizando com aquela novidade. Após o encontro, voltei para casa e fiquei refletindo sobre tudo o que havia vivido naquela tarde.

Os dias passaram e chegou a data do próximo encontro. Dessa vez, eu mesma me arrumei e mandei mensagem para minha amiga, dizendo que já estava pronta e esperando por ela para irmos juntas ao grupo de mulheres.

Desde então, nunca mais faltei a um encontro. Estar ali virou uma prioridade para mim. Logo percebi que aqueles momentos e aquela convivência com minhas colegas — que hoje também são minhas amigas — funcionavam como uma verdadeira dose de cura para minha mente e para o meu emocional.

A partir desse passo, voltei a olhar mais para mim e a me reconectar comigo mesma. Algo que, até então, eu achava que não seria mais possível. Passei a frequentar novos lugares e a realizar atividades que fazem bem para o meu corpo e para a minha mente.

Hoje, neste relato, expresso toda a minha gratidão aos caminhos que me levaram a conhecer o Projeto Dignidade para a Infância. Sou grata a cada uma das mulheres e a toda a equipe por cada momento de alegria vivido. Cada uma contribuiu para que eu pudesse, hoje, dizer em alto e bom som:

eu estou curada e feliz.

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Dignidade para a Infância,Paracuru,social

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