
Aos 51 anos, Maria José dos Santos Menezes, moradora da Ilha de Outeiro, carrega uma história marcada por muitos desafios, mas também por uma profunda capacidade de resistência e superação. Ao longo de sua vida, enfrentou diferentes formas de violência que afetaram não apenas sua saúde emocional, mas também sua convivência familiar e social. Em meio a tantas dificuldades, sua participação em um projeto voltado para mulheres vítimas de violência tornou-se um marco importante de transformação em sua trajetória.
Antes de ingressar no projeto, Maria José vivia uma realidade difícil, marcada por episódios recorrentes de violência física, verbal, psicológica e patrimonial. Essas situações aconteciam tanto dentro quanto fora do ambiente familiar. O espaço que deveria representar acolhimento, proteção e fortalecimento de vínculos acabou se tornando um lugar de dor e fragilidade, onde ela não encontrava o apoio necessário para enfrentar os desafios que vivia diariamente.
Diante dessa realidade, Maria José foi encaminhada pelo CRAS para participar do grupo focal de Mulheres Vítimas de Violência. Foi nesse espaço que começou a encontrar novas possibilidades de reconstrução. Nos encontros promovidos pela OPN Belém, ela encontrou algo que por muito tempo lhe faltou: escuta, acolhimento e apoio. Ali, ao lado de outras mulheres com histórias semelhantes, Maria José passou a compartilhar suas vivências, refletir sobre sua própria trajetória e fortalecer sua coragem para enfrentar as violências que marcaram sua vida.
O acompanhamento psicossocial também abriu caminhos importantes. A partir dele, Maria José foi encaminhada para a rede de proteção e passou a receber acompanhamento psicológico, um passo fundamental para cuidar de si mesma e reconstruir sua autoestima. Pouco a pouco, ela foi retomando sua confiança, redescobrindo sua força e percebendo que era possível recomeçar.
Fortalecida por esse processo, Maria José tomou uma decisão transformadora: rompeu com o ambiente familiar que lhe causava sofrimento e passou a trilhar um novo caminho. Hoje, vive sozinha em sua própria casa, conquistada por meio do programa Minha Casa Minha Vida, recebe sua aposentadoria e continua participando do grupo focal, mantendo vínculos de apoio, convivência e solidariedade com outras mulheres.
Além disso, foi incentivada a participar de atividades físicas, onde encontrou não apenas benefícios para a saúde, mas também novos momentos de convivência e socialização, fortalecendo seu bem-estar físico e emocional.
A história de Maria José é um retrato de coragem. Mostra que, quando há acesso ao acolhimento, à escuta qualificada e às ações da rede de proteção, é possível reconstruir caminhos, resgatar a dignidade e devolver às mulheres em situação de violência a oportunidade de viver com autonomia, respeito e esperança.
O Projeto Dignidade para a infância
O Projeto Dignidade para a Infância é uma realização da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental
Sobre a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno
Fundada em 1993, por Bernardo Rosemeyer, a Associação Beneficente O Pequeno Nazareno é reconhecida nacionalmente pelo atendimento integral a crianças e adolescentes em situação de rua, bem como a suas famílias e comunidades de deslocados internos localizadas em municípios do Norte e do Nordeste do Brasil. Sem fins lucrativos, a instituição dedica-se à promoção da dignidade, justiça e inclusão social, enfrentando preconceitos e influenciando políticas públicas para a transformação da sociedade.
