
Participante do Projeto Dignidade para a Infância relata como o grupo de mulheres transformou sua autoestima e reacendeu sonhos
“Olá, eu me chamo Francisca Barbosa Rodrigues, tenho 32 anos e participei do Projeto Dignidade para a Infância por meio do grupo de mulheres em São Gonçalo do Amarante.
Em uma quarta-feira pela manhã, fui a um dos encontros do grupo Mulheres Empoderadas, nome do grupo do qual faço parte dentro do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), ofertado pelo Centro de Referência de Assistência Social – CRAS Sede, responsável por acompanhar as famílias do bairro onde moro.
Durante esse encontro conheci o Projeto Dignidade para a Infância e a Associação O Pequeno Nazareno, por meio da assistente social Geirla, da psicóloga Conceição e da educadora social Emiliana, que nos fizeram o convite para participar do grupo de mulheres do projeto. No primeiro momento, confesso que tive receio e dúvidas se aceitaria ou não o convite. Mas a forma como fui tratada e acolhida por elas três me trouxe confiança para dar uma chance e participar desse projeto, que era uma proposta nova e diferente de tudo que eu já havia experimentado em relação a projetos sociais.
Diante disso, resolvi me inscrever e participar. Contei também com o apoio da minha amiga Joana, que disse que queria conhecer melhor o Dignidade para a Infância.
Quando os encontros começaram, fui recebida com abraços carinhosos e gestos de cuidado. Logo passei a observar tudo com muita atenção. Fiquei encantada com o esforço da equipe em tornar o ambiente acolhedor, com uma decoração feita com carinho. Ali eu vi um espaço que tinha cara de lar, de casa de mãe. Parecia algo surreal, algo que eu ainda não havia visto ou experimentado.
Ao longo dos encontros fui me apaixonando por cada tema e pela liberdade de, junto a outras mulheres, poder expressar meus sentimentos, opiniões e histórias sem julgamentos ou críticas. Tínhamos a certeza de que nada do que era dito ali sairia daquele espaço, que para mim se tornou um verdadeiro abrigo. Não há palavra melhor para descrever o que vivi além de acolhimento. Essa é a melhor tradução do que é o Dignidade para a Infância.
Durante essa jornada também aprendi muito. Aprendi a ouvir, a compartilhar o que há de bom em mim e minhas experiências. Disse a mim mesma que, a partir dali, eu levaria acolhimento a todos que passassem pela minha vida. O que senti naquele grupo é algo que desejo que todas as pessoas possam sentir também.
Nos encontros eu pude me expressar, chorar, sorrir e, principalmente, superar uma das minhas maiores dificuldades: falar em público. Hoje posso dizer que esse medo já não faz mais parte de mim.
Levo tudo o que aprendi para todos os ambientes em que estou. Não posso guardar tanta coisa boa apenas para mim. Levo ao meu trabalho, levo para a terapia do meu filho e para onde quer que eu vá. As pessoas percebem o quanto estou feliz. Meu semblante mudou, minha autoestima mudou. Hoje me sinto uma mulher forte, e isso é reflexo de cada precioso minuto vivido ao lado da equipe e das minhas companheiras no grupo de mulheres.
Por fim, não posso encerrar esse relato sem dizer que sempre foi meu sonho ter uma formação que me permitisse ajudar outras pessoas. Os caminhos da minha história adormeceram esse sonho por um tempo, mas ele permaneceu dentro de mim. Agora me reencontrei com esse desejo, e ele ganhou força novamente. Decidi que ainda este ano iniciarei uma graduação, e meu primeiro objetivo será desenvolver um projeto voltado para mulheres, para que elas saibam e acreditem que são capazes de conquistar tudo o que quiserem.
Sou profundamente grata a cada pessoa que faz o Projeto Dignidade para a Infância acontecer. Vocês me ajudaram a me tornar uma mulher mais forte, confiante e cheia de esperança.”
