Série: Relembre boas Ações I Quando a infância encontra a maternidade na realidade das jovens em gravidez precoce

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OPN registra aumento na procura por apoio terapêutico e reúne relatos que revelam a realidade das adolescentes que vivenciam a maternidade em contextos de vulnerabilidade

O aumento da gravidez na adolescência tem se mostrado um fenômeno crescente em Fortaleza, especialmente entre jovens que vivem em regiões com menor infraestrutura social. Dados do Desigual Lab, plataforma do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), revelam que bairros com baixos índices de desenvolvimento humano concentram os maiores números de maternidade precoce. No Pirambu, por exemplo, um em cada cinco bebês nasce de uma mãe adolescente, 19% dos nascidos vivos na área. O cenário se repete em comunidades como Barroso (17,3%), Floresta (17,2%), Bom Jardim (16,8%) e Curió (16,6%), enquanto nas zonas mais ricas da cidade os índices são praticamente inexistentes.

As estatísticas da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) reforçam essa realidade,  até 23 de agosto do ano passado, Fortaleza registrou 1.725 nascidos vivos de mães adolescentes, sendo 69 de meninas entre 10 e 14 anos e 1.656 de jovens entre 15 e 19 anos. Isso representa uma média de 215 partos por mês, ou 7,2 por dia. Apesar da frequência elevada, não houve registro de óbitos maternos nessas faixas etárias, indicando esforços importantes na atenção à saúde dessas jovens.

Esse cenário reflete diretamente no trabalho da Associação O Pequeno Nazareno (OPN), que vem registrando um aumento significativo na procura pelos grupos terapêuticos voltados para mães adolescentes, faz parte do projeto Dignidade para a Infância que é uma realização da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.  As histórias que chegam ao serviço mostram a complexidade do tema e a urgência de políticas de cuidado voltadas a esse público.

Entre essas histórias está a de Arelly Nunes, que se tornou mãe aos 16 anos. Ela recorda que descobriu a gravidez durante a comemoração de seu aniversário de 15 anos, momento que transformou sua vida. “Meu mundo virou de cabeça para baixo. Fui criada sem pai e hoje minha filha também cresce sem a presença paterna. Mas, mesmo com todas as dificuldades, nunca desisti de viver. Procuro sempre me ocupar e encontrar algo para fazer”, relata Arielly, que hoje, aos 19 anos, busca construir um futuro mais seguro para ela e seu filho.

Samily Costa, mãe de uma menina de quatro meses, compartilha desafios semelhantes. Diagnosticada com ansiedade e depressão, ela afirma que o apoio familiar é seu principal alicerce. “Venho de uma família formada por mulheres — minha mãe e minhas duas irmãs — e é com essa rede que consigo enfrentar as dificuldades. É assim que tenho conseguido sobreviver às adversidades”, diz. Sua trajetória evidencia como a maternidade precoce pode se somar a questões emocionais, gerando desafios ainda maiores para jovens que já vivem em contextos de vulnerabilidade.

Para Érica Ferro, assistente social do OPN, compreender a maternidade na adolescência exige olhar além dos relatos individuais. Segundo ela, trata-se de um fenômeno que envolve fatores sociais, emocionais e estruturais. “Mesmo quando as jovens utilizam métodos contraceptivos, não existe garantia absoluta de prevenção. É fundamental entender que a gravidez na adolescência não pode ser enxergada apenas como uma escolha individual, mas como resultado de contextos vulneráveis, da falta de informação adequada e das dificuldades de acesso a serviços de saúde e proteção”, afirma.

Em 2025, o OPN encerrará o ciclo de atendimentos dos grupos terapêuticos voltados para jovens grávidas, totalizando mais de 260 adolescentes acompanhadas ao longo do projeto. A iniciativa ofereceu acolhimento, orientação e um espaço seguro para que essas jovens pudessem ressignificar suas trajetórias, retomar funcionalidades e encontrar novas perspectivas. O legado do trabalho é uma rede de cuidado que impactou vidas e fortaleceu mães que, muitas vezes, chegaram ao serviço se sentindo perdidas, mas saíram mais preparadas para enfrentar seus caminhos.

Projeto Dignidade para a Infância

O Projeto Dignidade para a Infância é uma realização da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, reafirmando o compromisso conjunto com o desenvolvimento humano, a justiça social e a promoção de direitos nas comunidades atendidas. 

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