
Durante muito tempo, Andréia acreditou que certas situações vividas dentro de casa faziam parte da vida conjugal. Dona de casa e dedicada à família, convivia diariamente com comportamentos agressivos do esposo, que frequentemente utilizava palavras duras e atitudes que a feriam emocionalmente. Na época, ela não percebia que estava inserida em uma relação marcada pela violência psicológica.
Moradora do bairro Urucu, em Coari, no Amazonas, Andréia Santiago de Souza, de 35 anos, vive com o esposo e os filhos e é acompanhada pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Participante do grupo terapêutico voltado para mulheres vítimas de violência da Associação O Pequeno Nazareno em parceria com a Petróbras, por meio do programa socioambiental, ela encontrou no projeto um espaço de acolhimento, fortalecimento emocional e redescoberta de si mesma.
“Eu achava que era normal. Sempre cuidei da casa, dos meus filhos, e achava que precisava suportar aquilo calada”, relembra.
Ao ingressar no grupo terapêutico, Andréia passou a ter acesso a informações sobre direitos, autocuidado e violência contra a mulher. Mais do que isso, encontrou um ambiente seguro para ouvir outras histórias, compartilhar experiências e compreender que não estava sozinha.
Segundo ela, os encontros passaram a representar momentos importantes de aprendizado e fortalecimento emocional. “Comecei a acreditar mais em mim. Percebi que eu também tenho valor e que minha voz precisa ser ouvida”, conta.
Mesmo sendo uma pessoa tímida, Andréia relata que o projeto ajudou a transformar sua forma de se posicionar dentro de casa. Antes, diante dos conflitos, ela se calava e chorava. Hoje, afirma que consegue dialogar, expressar seus sentimentos e dizer quando algo a machuca.
“As conversas no grupo me ajudaram a criar coragem. Antes eu só chorava, agora consigo falar o que sinto”, destaca.
A participante afirma sentir gratidão por ter aceitado participar da iniciativa e considera o projeto fundamental para mulheres que enfrentam situações semelhantes. Sua trajetória revela como o acolhimento, a escuta e o fortalecimento coletivo podem ajudar mulheres a reconstruírem a autoestima, reconhecerem seus direitos e retomarem o protagonismo de suas próprias vidas.
A história de Andréia é também a história de muitas mulheres que, ao encontrarem apoio e informação, descobrem que romper o silêncio pode ser o primeiro passo para recomeçar.
Projeto Dignidade para a Infância
O Projeto Dignidade para a Infância é uma realização da Associação Beneficente O Pequeno Nazareno, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, reafirmando o compromisso conjunto com o desenvolvimento humano, a justiça social e a promoção de direitos nas comunidades atendidas.
